Doença de Alzheimer: Muito Além da memória
  • 02/02/2020

A Doença de Alzheimer não é somente uma doença da memória. Apesar da perda gradual de memória ser sua característica principal, as alteração de comportamento são extremamente comuns e igualmente importantes. Além de serem a principal fonte de estresse para os familiares e cuidadores. E também, o principal motivo pelo qual as famílias buscam uma instituição de longa permanência.

Podem variar muito entre as pacientes, e suas formas de apresentação ser muito diferentes entre os portadores, ao longo do tempo.

Na fase inicial da doença, a apatia, a depressão e a ansiedade são mais comuns. Apesar das duas últimas serem passíveis de melhora com medicações, não dispomos, até o momento, de uma boa opção terapêutica para a apatia. Ela é diferente da depressão, pois o humor não está deprimido, sendo a perda de interesse, de vontade, o que chama mais a atenção.

Com o avançar da doença, pode haver melhora (ou resposta ao tratamento) dessas condições, e o surgimento de uma grande variedade de quadros. A perambulação, ou o comportamento de vaguear a esmo. Períodos de agressividade, verbal ou física, principalmente quando o paciente é confrontado, como quando é conduzido a tomar banho. As alucinações, comumente visuais, quando a paciente vê pessoas, animais ou objetos e outras pessoas não. Os delírios, idéias errôneas, irreais e irremovíveis acerca de realidade, como quando a paciente tem a convicção de que está sendo roubada, ou perseguida, ou tem um ciúme anormal do conjugue. O extremamente comum “ fenômeno do entardecer”, quando a paciente fica muito confusa ao final do dia. Entre outras tantas situações.

É sempre importante salientar que as alterações de comportamento não são algo contra um familiar ou contra o cuidador, mas sim, manifestações esperadas da doença. É como pedir para uma pessoa com pneumonia não tossir, ou para quem se machucou não ter dor. As manifestações surgirão independentemente da nossa vontade, da vontade da paciente, ou mesmo da sua personalidade prévia, em algum momento.

Caberá aos familiares e cuidadores o correto enfrentamento das diferentes situações. E para isso, existe a educação em geriatria ou gerontoeducação. Para os próximos dias, estará disponibilizado no blog um e-book relacionado ao tema, bem prático, para ajudá-los nessa árdua missão.

Geriatria – Dr Roberto M. Betito
http://geriatriafacil.com.br